Portugal’s long blazing Summer

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Many people ask themselves why Portugal is plagued by more wildfires than larger countries in Europe, which is as much as half of the total acreage lost to flames across the rest of the European Union.

As consequence of the social and economic transformation that took place in Portugal over the last 50 years, when it  joined the European Community, Portugal become one of the most heavily forested countries in Europe, most of the land privately owned.

The exposure  to the European economic globalization led to the demise of the traditional agriculture, with the  younger generation migrating  to the cities, to benefit from job opportunities and better education , resulting in   the depopulation of remote villages and fewer farmers cultivating the  fields.

The traditional farming communities of grapes, olives and cork vanished and the land was sold off to the  forest industry companies, the outcome being  that many wooded areas became untended and fewer farm animals grazed on otherwise flammable underbrush.

Eucalyptus and gum trees now cover a quarter of all forested land in Portugal fetching very lucrative  crops  for paper and pulp industry, making the country largest producer  and exporter of eucalyptus pulp in Europe.

The downside is that eucalyptus burn faster and hotter, making wildfires harder to control , unlike no other trees they endure fire and  grow up again like no other plant.

Successive governments have tried to create laws to control the areas  of eucalyptus  plantations but the paper industry is fighting  any legislation which would cost thousands of jobs and hurt Portugal’s economy.

Another important cause of the recent uncontrolled wildfires is that 65 %  of Portugal is facing one the worst  droughts in  consecutive years , combined with the  intense heat wave  ever recorded high temperatures in excess of 40 °C (104 °F) , which preceded the fires.

Strategies of  prevention, such  as controlled burning and establishment of fire breaks has not been comprehensively  implemented because there is lack of manpower in the villages of the interior of the country with predominating elderly population.

A sinister angle to this panorama  is that most wildfires have started and reactivated during the night, which points to a “criminal hand” that may have been behind the deadly flames that have raged through central Portugal.

All these are unfortunate ingredients that make Portugal highly vulnerable to  long blazing Summers.

The Portuguese Government has recently declared the situation a National Calamity which grants powers to the executive to activate legislative mechanisms and to coordinate civil and militarized resources to try to face the present serious circumstances in the country .

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Muitas pessoas se interrogam sobre as razões pelas quais em recentes anos Portugal ser assolado durante o Verão por intensos incêndios por todo o país .

Vários são os motivos das labaredas envolverem o nosso território como não há memória.

Portugal sofreu nos últimos  cinquenta anos uma profunda transformação social e económica com a entrada para o Mercado Comum Europeu, sendo a principal consequência o abandono do interior do país, com a migração das camadas mais jovens procurando oportunidades de emprego e de  formação educacional  nos centros urbanos  e além Europa .

O resultado foi o desaparecimento da agricultura tradicional de pequena e média dimensão, ficando  aldeias praticamente despovoadas  ou apenas habitadas pelos mais idosos, menos aptos para cultivar os  campos e prevenir que mato pudesse crescer descontroladamente nas áreas arborizadas.

Esse cultivo tradicional foi substituído por grandes espaços florestais virados para a agro indústria da polpa de papel, que hoje ocupam um mais 35 %  espaço geográfico continental e que são através da comercialização e exportação, uma das grandes riquezas nacionais.

Grandes áreas ocupadas por  árvores tradicionais, como o castanheiro ,o carvalho, a oliveira e o sobreiro, foram substituídas pelo eucalipto , uma espécie originária  da Austrália, que é muito mais suscetível de propagar  rapidamente os fogos, porque a  seiva constitui um fácil combustível para as labaredas.

O governo português tem estado a tentar reduzir as áreas cobertas pelo eucalipto, mas os interesses da indústria do papel tem alertado as nefastas consequências para os empregos e para a economia portuguesa.

A situação é agravada pelas sucessivas secas, bem como pelas temperaturas invulgarmente  elevadas que se tem verificado recentemente na época do  Verão .

A descoordenação dos meios para acudir aos fogos tem também sido indicada como um dos motivos da menor ineficácia dos recursos mobilizados.

Neste contexto há a mãos criminosa que ateia impunemente os fogos, muitas vezes no meio da noite, o que era mais fácil de detetar quando as regiões interiores  do pais eram mais habitadas .

São tudo situações conducentes ao ambiente de consternação que a onda de chamas tem provocado.

Medidas em cursos para melhorar os meios de coordenação dos organismos  da proteção civil  com os ramos das forcas militarizadas, produção de nova legislação para proteger o ambiente e para punir os pirómanos, estão em curso para minorar o impacto  que os incêndios tem provocado Portugal.

Jay Fernandes
Master’s Degree G. Ph. from the University of Lisbon. Academic and teacher. Television , radio and press reporter / commentator

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